A dificuldade de conseguir estágio tem se consolidado como uma das principais angústias da nova geração. Currículos enviados sem retorno, processos seletivos que não avançam e uma sensação crescente de frustração fazem parte da realidade de milhares de jovens brasileiros. A leitura mais comum aponta para a falta de oportunidades. No entanto, uma análise mais aprofundada do cenário revela um diagnóstico diferente — e, muitas vezes, ignorado.
Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego entre jovens segue acima da média nacional, refletindo desafios históricos de inserção no mercado. Ao mesmo tempo, o volume de vagas de estágio continua existindo em diversas áreas, impulsionado pela necessidade das empresas de formar novos talentos desde a base.
Esse cenário revela um ponto central: o problema não está necessariamente na ausência de vagas, mas no comportamento e no nível de preparo dos candidatos.
A dificuldade de inserção no estágio não se resume à escassez de oportunidades, mas a um desalinhamento crescente entre o perfil dos jovens e as expectativas das empresas. “Hoje existe um volume muito grande de vagas e oportunidades. O que percebemos é a dificuldade em encontrar jovens realmente interessados, comprometidos e dispostos a aprender”, afirma o presidente da ABRE, Fernando Linschoten.
A percepção é reforçada no dia a dia dos processos seletivos. “O estágio não exige experiência, ele existe justamente para ensinar. O que falta, na maioria dos casos, é postura, comunicação e interesse real pela oportunidade”, explica o gerente de RH da ABRE, Anderson Costa.
A triagem inicial dos currículos já evidencia parte desse cenário. Estudos conduzidos pela Ladders Inc. indicam que recrutadores levam, em média, cerca de 6 a 8 segundos para decidir se um currículo seguirá no processo. Nesse curto intervalo, erros simples — como falta de objetividade, informações genéricas ou falhas de escrita — podem ser suficientes para eliminar um candidato.
Além disso, relatórios do World Economic Forum apontam que habilidades comportamentais, como comunicação, pensamento crítico e capacidade de adaptação, estão entre as competências mais valorizadas no mercado atual. Isso reforça uma mudança importante: o conhecimento técnico deixou de ser o único diferencial, especialmente para quem está começando.
Outro fator recorrente é a falta de direcionamento. Muitos jovens se candidatam a vagas de forma indiscriminada, sem avaliar alinhamento com seus interesses ou perfil. Esse comportamento transmite ausência de foco e reduz significativamente as chances de avanço no processo seletivo.
A ausência de experiência prática, frequentemente apontada como um problema, não é o principal fator de exclusão. Um levantamento da National Association of Colleges and Employers demonstra que o mercado valoriza iniciativa e envolvimento, mesmo sem histórico formal de trabalho. Participação em projetos acadêmicos, cursos complementares e atividades extracurriculares já são sinais positivos para recrutadores.
Outro ponto relevante é a dificuldade de lidar com processos seletivos. Em um contexto marcado por respostas rápidas e imediatas, muitos jovens desistem após poucas tentativas. No entanto, a lógica do mercado é diferente: exige repetição, aprendizado e evolução constante.
Nesse cenário, o estágio mantém sua essência: não é uma vaga para quem já sabe, mas para quem está disposto a aprender. No entanto, essa disposição precisa ser demonstrada na prática — na postura, na comunicação e no interesse ao longo do processo.
É nesse ponto que a conexão entre formação e mercado se torna essencial. A ABRE Estágio e Emprego atua na intermediação entre estudantes e empresas, estruturando oportunidades reais de estágio. Já o Instituto ABRE contribui na formação de jovens aprendizes, preparando-os não apenas tecnicamente, mas também no desenvolvimento comportamental.
A inserção no mercado de trabalho, especialmente no início da carreira, não depende de experiência prévia, mas de atitude. Interesse, comprometimento e vontade de aprender continuam sendo os principais diferenciais.
No fim, a mensagem é direta — e necessária:
- não se trata de falta de vagas
- o estágio existe para ensinar, não para exigir experiência
- o diferencial está no interesse, na postura e na vontade de aprender.
Redação ABRE
