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Capacitismo no trabalho: expressões para retirar do vocabulário e o que dizer no lugar

Palavras usadas no automático podem reforçar preconceitos contra pessoas com deficiência. Veja alternativas para tornar a comunicação mais respeitosa.

A inclusão também passa pela maneira como nos comunicamos. Em reuniões, entrevistas e conversas entre colegas, expressões aparentemente inofensivas podem associar a deficiência à incompetência, à falta de atenção ou a comportamentos negativos.

O capacitismo é o preconceito e a discriminação contra pessoas com deficiência. Ele pode aparecer em comentários, na infantilização e na presunção de incapacidade.

Rever esses hábitos é uma forma de construir relações mais respeitosas.

1. “Dar uma de João sem braço”

A expressão associa uma condição física à tentativa de escapar de uma obrigação.

Prefira: “fugir da responsabilidade” ou “se fazer de desentendido”.

2. “Dar uma mancada”

Quando usada para indicar uma falha de comportamento, transforma uma característica da maneira de caminhar em algo negativo.

Prefira: “cometer um erro”, “agir mal” ou “descumprir um combinado”.

3. “Está cego?” ou “Está surdo?”

Usar essas perguntas como repreensão associa deficiências sensoriais à falta de atenção.

Prefira: “Você viu a informação?” ou “Conseguiu acompanhar o que eu disse?”.

4. “Estar mal das pernas”

A expressão relaciona uma limitação física a uma situação ruim.

Prefira: “estar com dificuldades”, “enfrentar problemas” ou “passar por uma crise”.

5. “Fingir demência”

Usar uma condição de saúde para descrever alguém que evita uma situação reforça estigmas.

Prefira: “fingir que não entendeu” ou “ignorar de propósito”.

6. “Não ter braço para isso”

A expressão usa a ausência de uma parte do corpo como representação da impossibilidade de realizar uma tarefa.

Prefira: “a equipe está sobrecarregada”, “faltam profissionais” ou “precisamos de mais estrutura”.

7. “Retardado” como ofensa

O termo tem histórico de uso pejorativo contra pessoas com deficiência intelectual.

Prefira descrever a atitude ou o erro, sem atacar a pessoa. Por exemplo: “Essa decisão foi inadequada”.

8. “Ceguinho” ou “mudinho”

Diminutivos podem infantilizar e reduzir a pessoa à deficiência. Além disso, uma pessoa surda não é necessariamente uma pessoa que não fala.

Prefira chamar a pessoa pelo nome. Quando a informação for relevante, utilize a identificação adequada e respeite sua preferência.

Elogios também podem carregar preconceitos

Frases como “nem parece que você tem deficiência” ou “mesmo com deficiência, você é muito inteligente” demonstram expectativas limitadas sobre as pessoas.

Reconheça o conhecimento, o trabalho e as conquistas sem presumir incapacidade. Também evite tratar a vida cotidiana de uma pessoa com deficiência como um ato automático de heroísmo.

Da linguagem às oportunidades

Na seleção de estagiários, na integração de profissionais e na distribuição de atividades, é importante avaliar competências, ouvir necessidades de acessibilidade e respeitar a autonomia.

Antes de ajudar, pergunte. Ao conversar, dirija-se à própria pessoa. Ao preparar treinamentos, considere a acessibilidade dos materiais.

Em outubro de 2026, o TRT da 6ª Região lançou um Guia Anticapacitismo com orientações sobre boas práticas, comunicação acessível e linguagem simples.

Escolher melhor as palavras é um passo que precisa caminhar junto com acessibilidade e oportunidades reais de desenvolvimento.

Fontes e referências

Atualização editorial: 28 de outubro de 2026.

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